INTRODUÇÃO
De diferentes maneiras somos levados ao encontro com Deus. Cada um de nós a sua maneira, vê-se inclinado a procurar pelo Senhor. Podemos buscá-lo pela gratidão das bênçãos recebidas, mas também o procuramos quando aflitos não vemos outra coisa a fazer se não encontrá-lo. Ainda podemos ser levados a esta caça por Deus, quando experimentamos alguma perda, quando nos falta o chão. Portanto de diferentes modos e por diferentes razões temos o nosso encontro com Deus. A questão é como sairemos deste encontro?
INDIFERENÇA DIANTE DO ENCONTRO
Algumas pessoas têm experimentado diferentes encontros com Deus, no entanto permanecem fechadas e insensíveis ao agir de Deus, não se permitem o toque da graça. Outros experimentam um momento de profunda emoção, choram, pulam, gritam, mas ao saírem do lugar da manifestação, ao saírem do lugar do encontro, nada guardam do que viram, são como sacos furados, como cisternas rachadas que não podem reter as águas de Deus, não criam raízes, nelas a presença de Deus é apenas superficial, não sofrem mudanças profundas em seu caráter, em sua vida.
O VERDADEIRO ENCONTRO
Outros, porém, ao longo da história tiveram suas vidas radicalmente transformadas ao se depararem com a glória e a manifestação da presença de Deus. Homens e mulheres que nunca mais foram os mesmos após se encontrarem com ele. Poderíamos falar de muitos deles, Abrão, Jacó, Moisés, Elias, Pedro, Paulo, Martin Lutero, João Wesley e tantos outros que viviam nas trevas e foram impactados pela luz do Senhor. No entanto, vou me ater à narrativa do encontro que Isaias teve com Deus. Meu desejo é que assim como ele, nós também sejamos renovados pelo Senhor.
O PROFETA QUE SE ENCONTROU COM DEUS - ISAIAS 6. 1-8.
Isaias não é um estranho para Deus, na verdade já era um profeta quando teve seu encontro. Provavelmente um profeta do palácio, acostumado às letras sagradas, vivia uma vida religiosa e estava acostumado com as coisas do templo. No entanto duas razões podem ter mexido com a estrutura de Isaias, levando-o a procurar intensamente pela presença de Deus.
“No ano em que morreu o Rei Uzias”, este fragmento nos oferece uma referência, provavelmente 745 antes de Cisto. Foi por volta desta data que Jerusalém havia sido cercada, o povo estava sitiado, preso pelo inimigo, não podiam buscar água e comida, o povo se vê numa situação de calamidade e o profeta se vê numa situação de extrema angustia em um momento em que tudo que possuía podia perder-se.
Outra possibilidade para que Isaias tenha ido ao templo, tem sido ensinada por muitos pregadores, é possível que Isaias gozasse de uma grande amizade com o Rei Uzias, é possível que com sua morte, os privilégios do profeta fossem retirados, além é claro da falta sofrida pela perda do amigo.
Não há como darmos uma resposta exata ao motivo que levou Isaias ao templo. O que sabemos com certeza é que Isaias buscou o Senhor, intensamente, a procura de respostas, a procura mesmo de um sentido novo para sua vida.
ELE SEMPRE NOS ACEITA
Não importa muito a razão que lhe trouxe a presença do Senhor, se por alegria, se por lutas ou por ter perdido algo valioso em sua vida, o importante é que o Senhor está aqui, pronto a recebê-lo do jeito que você está. “se o buscares de todo coração o acharás”, como disse Jesus: “aquele que vêm a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora”. Mas é preciso que você o procure com sede, com fome da sua presença, é preciso que você o deseje de todo coração, com todas as suas forças, é preciso se lançar a sua procura, sabendo que é o nosso maior bem o que mais importa, da mesma forma que a corça anseia pelas águas, assim também devemos ansiar por sua presença.
A PROCURA PELA PRESENÇA DE DEUS LEVA-NOS A UMA VIDA DE ADORAÇÃO
Ao procurar o Senhor, ele viu a sua glória, a sua shekina , Deus se deu a conhecer a Isaias, ele desvelou-se, mostrou-se, se apresentou ao profeta. Este é o resultado de nossa busca, de nossa procura e de nossa entrega. Deus vem ao nosso encontro, do jeito que estamos do jeito que somos ele vem. Quando nos derramamos na presença de Deus, quando nos entregamos totalmente, sem reservas e sem medo então ele vem.
CONHECER A DEUS E SABER SOBRE DEUS NÃO É A MESMA COISA
Há cristãos que sabem muito sobre quem Deus é, sobre a história de Deus, sabem muito sobre o que ele fez. No entanto nunca experimentaram realmente a sua presença, falam de um Deus que conhecem na teoria e não na prática. Mas Deus quer se da a conhecer a você não somente pela história, não somente na letra de sua Palavra, mas acima de tudo na manifestação real de sua presença em sua vida, no seu coração. Quando isso acontece, nós experimentamos um novo conhecimento de Deus, nossa vida é transformada.
NA ADORAÇÃO DESCOBRIMOS SUA SANTIDADE E RECONHECEMOS NOSSO PECADO.
O espanto de Isaias, também é o nosso espanto. O pecador que viu a glória de Deus, que contemplou a sua santidade, vê-se surpreso pelo mistério. É quando o inefável, o indizível por alguns momentos, num lampejo, dá-nos a impressão de ter entrado no campo de nossas percepções e mesmo neste lampejar de sua glória, na fenda da rocha, somos transfigurados e marcados pela sua presença. A manifestação de Deus o torna conhecido a nós pelo menos de três maneiras.
Primeiro descobrimos, não em palavras, nem em formas ritualísticas, mas através dos nossos afetos e sentimentos que ele é santo e perfeito. É como se o pudéssemos ver, tocar e sentir, é algo da natureza da experiência, é algo que só podemos nos dar conta quando o experimentamos. É como tentar descobrir o sabor de uma fruta, não adianta perguntar para alguém como é o sabor. Por mais detalhista que uma pessoa seja, todos os detalhes não podem causar em nós um registro exato do que aquele sabor representa. É preciso provar, para depois sentir e saber o que é. Assim é este encontro com sua presença, depois de provar, podemos senti-lo e conhecê-lo e dizer como Jó: “antes te conhecia de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem”.
A REVELAÇÃO DE SUA SANTIDADE, MOSTRA O NOSSO PECADO
Em segundo, passamos a conhecê-lo a partir de nossa própria condição de pecadores. O santo e perfeito Deus, faz nos sabedores de nossos pecados, revela-nos nossa impureza. Mais do que manuais de conduta, mais do que regras e preceitos morais, a simples presença de Deus revela a nossa condição humana, nossos limites, nossa fragilidade e vulnerabilidade, mostra-nos o nosso pecado. É por isso que Isaias grita: “ai de mim pecador, de lábios impuros, pois vi o Senhor”. Essa revelação mostra-nos o quanto precisamos de Deus, o quanto só ele pode nos preencher.
O SANTO E PERFEITO ACOLHE O PECADOR
Se no primeiro momento a presença de Deus revela-nos sua perfeição e santidade, e logo a seguir mostra-nos também o nosso próprio pecado, em um terceiro momento este encontro revela-nos o Senhor que é simplesmente acolhimento, pois a pesar de Santo e perfeito ele também é próximo e presente. Tão próximo que é capaz de tocar nossos lábios, tão presente que se aproxima e nos toca, não depois de perfeitos e santos, mais quando ainda pecadores. Este encontro é, portanto, por natureza, um encontro restaurador.
O Deus que no meio de nossa procura revela-se a nós que mostra-nos sua glória, que mostra-nos o nosso pecado, o Deus que nos acolhe e que purifica nossos lábios, o Deus que restaura nossa existência, ele também é o Deus que nos capacita para uma missão.
QUAL A NOSSA MISSÃO?
Tornamos-nos peritos em falar das regras e preceitos que as pessoas devem obedecer para serem salvos por Deus. É preciso restaurar o nosso sacerdócio, restaurar a nossa visão e anunciarmos as pessoas quem Deus é. Amor, graça e acolhimento.
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